Se foi o velho Eusébio, pra junto dos ancestrais.
Deixou a velha estância, que um dia herdou dos seus pais.
E o patrãozinho, que vive lá na cidade, e nunca ligou pra o que é campeiro,
Mandou lotear a estância, pra vender casas, pra o povoeiro.
Me mandaram encilhar o gatedo. Me deram mais alguns pilas...
Um cusco baio-coleira, uns trates – velhos – de encilha.
Um sol nascente, um cheiro de maçanilha,
E o silêncio de quem parte sem ter gado ou tropilha.
Pra quem olha é só capim...
Léguas de campo que parecem não ter fim.
Uma casa velha costeada à sombra de um umbu,
E umas tapearas por detrás dos guabijus.
Restingais de vassoura e araçá,
Lendas dormidas sobre o Negrinho e Boi-tá-tá...
Coisas antigas, que hoje nem se lembra mais,
Causos de bravatas que o tempo deixou pra traz...
Não sabe o patrãozinho, o porquê se fez doutor.
Porque o velho Eusébio, calava em silêncio sua dor.
Que cada pedra daquele rancho conta um pouco da sua história,
Dos anos de suor e de luta, que rendiam algumas horas de glória.
Dom Eusébio perdeu a força do braço, na dura lida do campo,
Para garantir que seu guri, na universidade tivesse um banco.
E o velho, que jamais aprendera a ler, com trabalho suor e dor,
Conseguiu realizar seus sonhos e formou seu filho doutor.
Se foi o velho Eusébio, pra junto dos ancestrais.
E o patrãozinho, que não gosta do campo, vendeu o rancho do seu pai.
Vendeu junto todas as lembranças, de quem tinha seu mundo aqui,
Peões de olhos tristes, em seus matungos e gateados, sem ter pra onde ir.
Olho a maçanilha do campo, logo tudo será calçada...
Não mais os quero-queros anunciarão os que vem pela estrada.
Se foi o velho Eusébio, pra junto dos ancestrais...
E os que ficaram também se vão, pra não voltar mais...
Caco de Paula.
26/02/2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Aos Visitantes!
Buenas amigos!
A todos que visitam o blog, não se acanhem em comentar as poesias ou me mandar um chasque: cacodepaula01@gmail.com.
Baita abraço a todos e gracias pela visita!
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Novidades!!!
Agora integrando o site Artistas Gaúchos
http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?sct=13&nct=Compositores
Visualizar Página
.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Milonga de Faca e Laço
Vai o laço se espichando,
Buscando o corpo do touro,
Sentindo fome do couro
Vai lambendo o pastiçal.
E se cumpre o ritual,
Parando a rês num boleio,
De um lado o braço campeiro
Do outro o tombo brutal.
Vem a faca castradeira,
Que não se achica pro serviço...
E conhece o compromisso
Que o laço acabou de marcar.
Vai cumprir o seu ofício,
Nesta rude medicina,
Limpando a faca na crina
Na ciência de castrar.
Num alvoroço da cuscada
Saem os potros da mangueira,
Uma tropa muy lindeira
Bem preparada pra armada.
Bate bumbos a tourada,
Com pataços pelo chão,
E a chacarera no coração
De quem campeia a olada.
Depois de feito o serviço
De touro que vira boi,
O dia inteiro se foi
A faca, corda e munício.
Um truco orelhado pro vício
Indica que é chegada a hora
De descansar as esporas
E lustrar balcão de bolicho.
Caco de Paula.
24/10/2010
Buscando o corpo do touro,
Sentindo fome do couro
Vai lambendo o pastiçal.
E se cumpre o ritual,
Parando a rês num boleio,
De um lado o braço campeiro
Do outro o tombo brutal.
Vem a faca castradeira,
Que não se achica pro serviço...
E conhece o compromisso
Que o laço acabou de marcar.
Vai cumprir o seu ofício,
Nesta rude medicina,
Limpando a faca na crina
Na ciência de castrar.
Num alvoroço da cuscada
Saem os potros da mangueira,
Uma tropa muy lindeira
Bem preparada pra armada.
Bate bumbos a tourada,
Com pataços pelo chão,
E a chacarera no coração
De quem campeia a olada.
Depois de feito o serviço
De touro que vira boi,
O dia inteiro se foi
A faca, corda e munício.
Um truco orelhado pro vício
Indica que é chegada a hora
De descansar as esporas
E lustrar balcão de bolicho.
Caco de Paula.
24/10/2010
sábado, 16 de outubro de 2010
Seiva Bugra
Vagam pelas estradas com passos sem rumo
Como errantes pela terra que é sua,
As mãos vazias, as barrigas roncando,
Mas a alma transbordando de cultura.
Balaios, cestos, animais entalhados,
Suvenires que enfeitam salas,
Das casas confortáveis de outros homens,
Que usurparam suas terras por migalhas.
Peles queimadas pelo sol da estrada,
Herdeiros puros da raça de Sepé,
Pousam pra retratos tirados nos Sete Povos,
Mural da história, que teima em estar de pé.
Resto de povo, berço da história,
Luta e glória que não cabe nos livros.
Resto de gente, povo sofrido,
Que entre seus descendentes, já foi há muito esquecido.
E hoje, vejo meus ancestrais pelas esquinas,
Vender balaios com crianças maltrapilhas,
Enquanto bandeirantes e “heróis” da nossa estória,
Nomeiam ruas, praças e avenidas.
Ergueram missões e catedrais nos Sete Povos
Estes braços fortes de homens tão sofridos
E hoje imploram alguns pilas nos balaios,
E quem foi rei, hoje se para de mendigo.
Mas a seiva bugra, destes reis campeiros,
Sabe que um guerreiro nunca nega sua origem.
E as cicatrizes em seu corpo inteiro,
São tronco e raízes de quem aqui chegou primeiro!
Caco de Paula.
01/10/2010 -15/10/2010
Como errantes pela terra que é sua,
As mãos vazias, as barrigas roncando,
Mas a alma transbordando de cultura.
Balaios, cestos, animais entalhados,
Suvenires que enfeitam salas,
Das casas confortáveis de outros homens,
Que usurparam suas terras por migalhas.
Peles queimadas pelo sol da estrada,
Herdeiros puros da raça de Sepé,
Pousam pra retratos tirados nos Sete Povos,
Mural da história, que teima em estar de pé.
Resto de povo, berço da história,
Luta e glória que não cabe nos livros.
Resto de gente, povo sofrido,
Que entre seus descendentes, já foi há muito esquecido.
E hoje, vejo meus ancestrais pelas esquinas,
Vender balaios com crianças maltrapilhas,
Enquanto bandeirantes e “heróis” da nossa estória,
Nomeiam ruas, praças e avenidas.
Ergueram missões e catedrais nos Sete Povos
Estes braços fortes de homens tão sofridos
E hoje imploram alguns pilas nos balaios,
E quem foi rei, hoje se para de mendigo.
Mas a seiva bugra, destes reis campeiros,
Sabe que um guerreiro nunca nega sua origem.
E as cicatrizes em seu corpo inteiro,
São tronco e raízes de quem aqui chegou primeiro!
Caco de Paula.
01/10/2010 -15/10/2010
A Valsa das Borboletas
Quando o som do silêncio
Dedilha suas notas de prata,
Seguem num doce valseio
As borboletas-monarcas.
Sons de um canto mudo,
Mais que um simples bailado,
No palco do campo ou jardim,
Dança um corpo alado...
O corpo tênue, as asas abertas,
A valsa certa pra vento ou brisa...
Na dança etérea de quem flutua,
Bruxos passos da bailarina...
O sol desenha longas sombras sobre as flores,
E o silêncio fala ,de amores, que não se pode descrever.
Quem olha tenta entender, o valsear da bailarina,
E os olhos guardam nas retinas um resto de bem querer.
O valseado segue eternamente,
Mas quem ama consegue entender!
A valsa das borboletas, nas mudas notas,
Pelos ares a se estender.
Caco de Paula.
15/10/2010
Dedilha suas notas de prata,
Seguem num doce valseio
As borboletas-monarcas.
Sons de um canto mudo,
Mais que um simples bailado,
No palco do campo ou jardim,
Dança um corpo alado...
O corpo tênue, as asas abertas,
A valsa certa pra vento ou brisa...
Na dança etérea de quem flutua,
Bruxos passos da bailarina...
O sol desenha longas sombras sobre as flores,
E o silêncio fala ,de amores, que não se pode descrever.
Quem olha tenta entender, o valsear da bailarina,
E os olhos guardam nas retinas um resto de bem querer.
O valseado segue eternamente,
Mas quem ama consegue entender!
A valsa das borboletas, nas mudas notas,
Pelos ares a se estender.
Caco de Paula.
15/10/2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Mulher Farroupilha
As mãos que seguram a vassoura
Na xucra lida diária
Te fazem eterna guerreira
De nobre sina libertária.
Os cabrestos que te maneiam
De rancho, filho e marido,
Não ofuscam teus afãs
Dos sonhos não paridos.
Por isso és guerreira
Desta guerra que não finda
De casa, cama e fogão,
De sanga, planta e capina.
Que Deus te abençoe sempre,
- Nobre mulher farroupilha -
Pois teu semblante exala
A grandeza de tua alma caudília.
Caco de Paula.
20/09/2010
Na xucra lida diária
Te fazem eterna guerreira
De nobre sina libertária.
Os cabrestos que te maneiam
De rancho, filho e marido,
Não ofuscam teus afãs
Dos sonhos não paridos.
Por isso és guerreira
Desta guerra que não finda
De casa, cama e fogão,
De sanga, planta e capina.
Que Deus te abençoe sempre,
- Nobre mulher farroupilha -
Pois teu semblante exala
A grandeza de tua alma caudília.
Caco de Paula.
20/09/2010
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